sábado, 19 de setembro de 2009

Vaga na ABL

Hoje (o6/09), domingo pela manhã, passeando os olhos descompromissadamente pelo jornal enquanto tomava o café da manhã, me deparo com a seguinte manchete: ''Collor agora integra time dos 'imortais' que não se destacam por seus livros''. Realmente, apesar de eu não ser lá um profundo conhecedor da literatura brasileira contemporânea, era pouco provável que eu ignorasse toda a produção literária de uma personalidade tão eminente nas últimas décadas como nosso ex-presidente da república.
Lá pelas tantas leio ''...para Collor, que jamais escreveu um livro, o critério para integrar a casa foi mais generoso: levou em conta artigos, planos de governo e até discursos''. Juntar-se-á a seus amigos de senado Marco Maciel e José Sarney, esses sim, figurões das letras nacionais, cujas obras devem ter sido lidas por algumas dezenas de pessoas, incluindo familiares e amigos.
Collor e sua conquista, apesar de restringir-se ao estado das Alagoas, encorajaram-me a pleitear uma vaguinha na casa do Machado. Seria bacana e útil me tornar conhecido por meus futuros colegas de profissão Moacyr Scliar e Ivo Pitanguy; tomar o tradicional chá perguntando a Paulo Coelho sobre suas parcerias com Raulzito; indagar ao João Ubaldo Ribeiro e ao Carlos Heitor Cony se é possível ser cem porcento verdadeiro e ao mesmo tempo tão engraçado quando se escreve crônicas, além de andar pra lá e pra cá ostentando aquele estofado de poltrona velha que eles insistem em vestir nas ocasiões importantes. Afinal de contas, apesar de possuir menos de um terço da idade da maioria dos imortais, a iniciação precoce no mundo das letras me trouxe um vasto currículo, que irei compilar nas próximas linhas. Flerto com uma corrente literária que me obriga a fugir do trivial, por isso ordenarei-o de acordo com minha trajetória escolar.
Ei-lo:

1a série do fundamental:
- Elaboração de um jogral de final de ano em homenagem a professora Rosana, cujo inicio era ''Querida, amada, idolatrada, salve salve, professora Rosana...'' (inevitável, atualmente, invocar Vanusa ao relembrar da ocasião).

2a série do fundamental:
- Elaboração de um segundo jogral, desta vez para a professora Flávia, com uma adesão relativamente menor por parte da turma.

3a série do fundamental:
- Roteiro e direção de uma peça teatral sobre a Abolição da Escravatura, encenada pelos colegas de sala, na qual princesa Isabel tinha uma terrível enxaqueca e mal sabia o que estava assinando. - Um poema sobre o Dia do Soldado, publicado no mural do colégio.
- Elaboração da terceira edição do jogral, com adesão nula.

6a série do fundamental:
- Após curto período improdutivo, escrevi ''A Oliveira'' um ''livro'' de dez páginas que contava a história de um escravo órfão, desde o nascimento até sua morte (aos 60 anos) .
- Também fui co-autor de um suspense policial escrito por meu primo, de cujo nome já não me recordo. Só me lembro de ter ficado enraivecido por ter meu nome na capa (chegamos a encadernar a obra) como ''co-autor''.

7a série do fundamental:
- Competidor para representante do colégio num concurso nacional de cartas. Havia dois candidatos a vaga e até hoje não me avisaram do resultado.

8a série do fundamental:
- Fundação de um grupo literário, com mais três colegas de turma, que tinha por objetivo escrever um livro de ficção e se reunia todas as sextas-feiras a tarde. Durou quatro semanas, ao cabo da qual nos deparamos a jogar ludo e desistimos do projeto.

2o ano do ensino médio:
- Contos de suspense policial escritos como lição de casa para as aulas de redação, que na verdade eram plágios resumidos dos livros de Agatha Christie, com a substituição de Hercule Poirot pelo detetive Pedro Mendonça. (Fizeram grande sucesso entre a professora Nancy e os colegas de turma, que nunca tinham de ler suas redações pois as minhas ocupavam todo o tempo da aula).

3o ano do ensino médio:
- Composição de quatro canções (letra e melodia) das quais a de maior sucesso intitula-se ''Sobre nós'' e possuí quatro acordes, todos com sétima aumentada.

Período entre a formatura do segundo grau até os dias atuais:
- Coletânea de crônicas, cujo décimo terceiro título é este que agora lês, e que já possui leitores de todos os estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, exceto Mato Grosso, Goiás Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

11 comentários:

Anônimo disse...

"e os colegas de turma, que nunca tinham de ler suas redações pois as minhas ocupavam todo o tempo da aula"uhauhauhhuuh adorei...e sinto mta falta...vc esqueceu de dizer q no primeiro colegial a gente era viciado em jornal e comentava quase que diariamente sobre as novidades e vc escrevia otimas dissertacoes por isso...ah, nao lembro dessas musicas q vc fez no terceiro colegia..se der manda pra mim...nem preciso dizer q te amo pra sempre e q jamais vou eskecer dessas pequenas coisas q fizeram com q nosso tempo de convivencia fosse tao especial..
Thais Petrochelli banzato....

Arthur disse...

Falarei aqui, por ser o primeiro texto postado, sobre a maneira com que se chega aos fatos..
Nao faz meu tipo vir e falar bem.. contudo o momento exige..

Escrever algo é simples.. bastam alguns anos de escola e um portugues chulé para sairmos colocando letras onde bem pensarmos..
explicitar algo válido já é um pouco diferente.. Nao que eu considere um dom.. digo mais.. o dom tira o mérito de quem é competente a alguma coisa.. jogamos a "culpa" no dom e excluimos os louros daquele que busca a materializaçao do que sente ou do que compreende sobre o que a vida revela..
Escrever é saber organizar ideias.. é saber concretizar o que nos cerca.. é ter a capacidade de perceber os acontecimentos e colocá-los numa folha de papel..
Em funçao disso, penso nao ser um dom.. acho muito mais.. presumo que seja uma evoluçao alcançada ao decorrer da vida..
Bendito aquele que usa o conhecimento e sabe arquivar as colclusoes colhidas da passagem mundana..

Com isso, encerro minhas boas-vindas ao nosso amigo e grande expoente do intecto literario.

Arthur

Garça disse...

Muito boa idéia. Assim todos que se interessarem terão a chance de ler suas ótimas crônicas.
Um Abraço

disse...

adoro as suas crônicas =D
quando eu nascer de novo quero escrever igual! haha beijos!

andré disse...

Mandou bem mano!
rendera no minimo muitas risadas
esse seu blog,
Parabens!
Abraco

Felps disse...

Muito bom, Pedrão!
Leitura leve e muito divertida, cara! Parabéns!
Abraço.

camilinha disse...

Não tem nem o que falar, o Arthur já disse tudo!

Marchewicz disse...

Quem sou eu com meu portugues cascavelense para fzer uma critica aos seus jograis de terceira serie, mas sempre dou muitas rizadas lendo seus textos.... e foi uma boa ter colocado esse blog para q todos possam ver!
abraço pedrao

Tatilg disse...

Pedro!
Muito legal isso aqui!
Serei uma frequentadora constante!
E adorei e faço minhas as palavras do Arthur, pq que isso não é um dom, é uma competência!
Boto féééé, viu?!
Abraço e sucesso no blog, Pedro!

Maíra disse...

Estou assistindo o nascimento do próximo Drauzio Varella, édico escritor? Hehehehe.
Acho que teu potencial é maior, viu Pedrinho!
Parabéns pelo blog!
Beijocas!

Maíra disse...

eu quis dizer MÉDICO! kkkk

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Quem sou eu

Médico da atenção básica de Sombrio - Santa Catarina. Escreve para o site da prefeitura, neste blog e eventualmente em outro veículos. Estuda filosofia. Toca violão e alguns outros instrumentos, nenhum verdadeiramente bem.