quinta-feira, 15 de abril de 2010

Quando ninguém ri da piada

Há poucos dias estava na fila do restaurante universitário (o RU) com alguns amigos, quando resolvi contar uma história.
Quem me conhece sabe que sou dado a contar histórias, em sua maioria, grandes abobrinhas, vivenciadas ou não por mim, mas que na maior parte da vezes rendem algumas risadas. Desta vez, em particular, não, muito pelo contrário. Foi ridículo, totalmente constrangedor.
Acontece que ando lendo um livro de crônicas do Mario Prata, consequentemente, quando gosto dos textos, acabo repassando as narrativas para o pessoal. E era isso que eu ia fazer.
Estávamos lá, esperando o RU abrir, o Marcão, o Ronaldo, o Japa, o March, o Paraguaio, a Vanessa e eu, quando solto: “Nossa, li uma crônica ontem muito boa, deixa eu contar”. Nisso o March perguntou: “Não é a do Tumitinha de novo, né Pedrão?”, não, não era.
Não me lembro muito bem porquê, mas demorei uns cinco minutos para iniciar o relato, dizendo que a Vanessa não podia ouvir, e depois fazendo alguns outros comentários sobre o povo que passava na fila, o que aumentou consideravelmente a expectativa em cima da coisa.
A história, que eu definitivamente não me atrevo a contar novamente, envolvia o Mario Prata e um primo dele, que hoje é reitor da universidade onde estudo. Eu, sinceramente, tinha achado a situação cômica, tanto que decidi contar, mas a repercussão não foi bem a que eu esperava.
Todos atentos olhando para mim, começo a narração. A gente sempre imagina os momentos em que as pessoas começarão a rir; eu, por acaso, calculei mal. No primeiro momento supostamente engraçadíssimo, ninguém abriu sequer um sorriso, mas não me deixei abalar. Prossegui, e no segundo momento totalmente hilário (julgava eu), os rostos não só não mudaram de feição, como meus ouvintes começaram a se entreolhar. Naquele instante, percebi que a coisa não ia acabar bem, mas não tinha como voltar atrás.
Lembrando da situação, me sinto mal até agora, óbvio que eu já contei histórias sem graça, mas essa foi de matar, desastrosa. Aquele clima de expectativa foi sendo substituído por uma angústia crescente, todo mundo percebendo o desconforto que se apossou sobre mim, contando uma história sem graça, que não evoluía, não acrescentava nada a ninguém e que os deixava com um vergonha alheia, assistindo minha sofrível performance.
Em dado momento, na tentativa de mudar os contornos da narrativa, resolvi apelar para um “mas vocês não acham interessante...”. Quando um negócio que era pra ser engraçado, (e isso tinha ficado claro antes de começar a narração) vira “interessante”, significa que você precisa urgentemente rever seu conceito de humor. Há vezes em que você conta uma piada, e de tão sem graça o pessoal acaba rindo (geralmente isso acontece em churrascos, quando a carne acabou e a cerveja está preste a), mas nem nisso essa minha história deu. Quando eu acabei, tava um clima pesado, ninguém ali sabia lidar direito com a situação. Fui eu quem tive que dizer “Mas a do Tumitinha era legal, não era?”.

- Ah! A do Tumitinha era muito boa!
- Nossa, era legal mesmo! Pô, Tumitinha...hahaha!!
- Como que pode?! Tumitinha não dá!

A fila do RU começou a andar. Entramos, pegamos as bandejas, nos servimos, almoçamos conversando sobre assuntos aleatórios, mas antes de irmos embora, ainda comentei: “Fazia tempo que eu não ficava tão sem graça como agora, contando aquela história”. Todo mundo se convalesceu, eles também ficaram muito sem graça, sofreram durante aqueles minutos que a fila não andava. Mas alguém, não me lembro quem, sugeriu: “ah, pelo menos você vai ter sobre o que escrever”.
Aí está. Tenho de admitir que era pra ser um texto cômico. Pelo menos um pouquinho. Se não foi, sugiro que vá ler a crônica do Mario Prata, sobre o Tumitinha. É diversão garantida.

5 comentários:

demian disse...

ja passei por essas tbm hehe, bom, pelo menos rendeu uma cronica né pedrao heheeh, queria ter visto a cena. mas pode ter certeza que isso foi um aborto, suas historias sao boas e divertem o pessoal, nao para

Manoela disse...

Siiiim, a do Tumitinha é demais! Hahahahahah Qdo vc escreveu “Não é a do Tumitinha de novo, né Pedrão?” eu pensei: o Pedro contou essa aí pra todo mundo! Lembro de vc comentando sobre essa do primo que hj é reitor, mas acho que vc não chegou a contar a história. Devia ter feito... pelo menos vc teria ficado sem graça perante a uma pessoa, e não várias. Hehehe... Só que agora fiquei curiosa! Vc vai ter que me contar dps! ;)
Beijinhos Pê... e obrigada por me servir de distração enquanto eu não quero estudar pra prova com as suas crônicas!

camilinha disse...

eu tb quero saber qual a do tumitinha! e fiquei curiosa pra saber a do mario prata tb! :P

Sayuri disse...

hauhauahuahauhauha...
poxa Pedro, vc nem ficou tão mal assim, vai???
É verdade que vc tentou amenizar a nossa cara de ''nada'' ali....heuheueheuheue..
mas estávamos entre amigos!!!
Se soubesse que vc fosse ficar assim teria soltado um: ''ha-ha-ha.'' ;D
só que talvez não teria rendido esta crônica, que ao meu ver, ganhou de mil da piada!!!!!!! XD

Rodrigo D. disse...

Pô, Pedrão, nesse dia eu estava lá... e, apesar de na hora eu não rir, ler essa crônica valeu com juros as risadas não-dadas na fila do ru.

em outras palavras, me borrei aqui!

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Quem sou eu

Médico da atenção básica de Sombrio - Santa Catarina. Escreve para o site da prefeitura, neste blog e eventualmente em outro veículos. Estuda filosofia. Toca violão e alguns outros instrumentos, nenhum verdadeiramente bem.