sábado, 5 de dezembro de 2009

Carta ao amigo imaginário

(Na atual fase de experiências com os diferentes estilos, posto agora uma carta. É quase um balanço de fim de ano, papo mais ou menos sério...bem mais ou menos...)

Pra quem conhece, parece mais uma mixiriquice do careca. Nosso ilustre amigo inventou esse semestre um amigo imaginário. O sujeito tinha algum parentesco longe e obscuro com ele, e por motivos ainda mais nebulosos foi morar uns tempos no apartamento do Mixirica. O engraçado é que quando aparecíamos por lá, o camarada nunca estava, mas a cama que o careca emprestou-lhe estava sempre desarrumada.
Enfim meu caro amigo, não me importo que você tenha essa condição de existência meio duvidosa. Estou eu aqui, finalmente de férias, sentado no sofá com uma cervejinha do lado, observando o sol se pôr por entre os predinhos da Trindade, João Bosco tocando Papel Machê, o laptop no colo e a vontade de escrever.
Esse semestre foi puxado. Fiz muita coisa, não fiz um tanto de outras, mas o saldo parece ser positivo. Arrisquei(-me) um bocado, aprendi outro tanto, e nesse meio de caminho ri e chorei pra valer, fiz novos e grandes amigos, decepcionei alguns, mas de qualquer forma, segui mais do que nunca aquilo que achava certo.
Mano, se eu te contar você não acredita, fui até atropelado dia desses. Voltando da Festa de Gala da Atlética a pé com o Digão, fui correr atrás de uns balões mas, por estar ligeiramente bêbado, as pernas não acompanharam os movimentos e a rapidez planejados e eu fui tropeçando até a rua, no que veio um carro e bateu em mim. Rolei no chão e tudo, mas não me machuquei muito.
Por me sentir meio culpado ainda fui pedir desculpas ao motorista: ''foi mal cara, to meio bêbado''. No que ele, polidamente respondeu: “Tem problema não, eu também to!”. Esse mundo maluco...
Falando em bebedeira, isso não sei se fiz de mais ou de menos, você me conhece quanto a esse respeito né?! Mas posso te afirmar que fui parando aos poucos com aquela mania de façanhas andarilhas no final das baladas. Hoje já não volto nem do Mercadinho Chico a pé se tiver outras opções. E também parei de bodear nas festas, isso tava enchendo o saco da galera, eu tava até perdendo moral.
Sem dúvidas foi o período em que eu mais estudei. Claro que com o tempo a gente vai perdendo o pique, mas no começo eu tava um nerd absurdo, não faltava eu aula nenhuma e estudava praticamente todo dia em casa. Aprendi muito, não só sobre medicina, mas também a ser perseverante. Lembra que eu queria muito fazer pesquisa, iniciação científica e tal? Pois então, eu fiquei o semestre inteiro enchendo saco dos professores, sugerindo projetos, vendo as possibilidades, até que quase no final, quando eu já tinha desistido, de repente me apareceram dois, e por um deles eu vou até receber bolsa de iniciação científica ano que vem. Isso foi pra mim até agora uma das maiores provas de que, se o cara quer mesmo uma coisa e corre atrás dela com vontade mesmo, na maioria das vezes ele consegue, pode apostar.
Por causa disso acabei me afastando da galera da minha sala. Minha frequência nas mesinhas de poker foi ridícula, até nas festas de turma apareci bem menos. Mas não pude deixar de ir na de encerramento, que foi bem engraçada por sinal, fiquei até pelado na piscina. Preciso pedir desculpa para as meninas, elas não devem ter ficado muito a vontade com a situação. Pretendo voltar a sair com o pessoal mais vezes semestre que vem.
Velho, cê sabe que eu sempre fui meio vassourão né?! Acredita que de uns tempos pra cá eu até dei uma tranquilizada? Tava gostando de estar com uma guria só. É tão gostoso perceber que uma pessoa séria, bacana, inteligente e bonita pensa em você e quer estar com você. A completude dos momentos em que se está junto é muito maior do que naqueles em que você está com alguém que acabou de conhecer numa balada. Eu nunca tinha valorizado muito isso. Mas parece tão óbvio né? Só eu que fui perceber essas coisas apenas aos vinte e dois anos. Aprendi bastante com ela, vou guardar isso com carinho.
Mas de qualquer forma me sinto um pouco mais leve. Cê que me conhece bem sabe que quando eu to bem, feliz da vida, adoro ver todo mundo bem também, contente e vivendo coisas legais. Mas quando o tempo tá fechado, e parece que tudo tá dando errado, daí fico puto até com as conquistas das pessoas próximas. Não sei se é normal de todo ser humano, sei que não é uma simples característica, é um defeito, que eu detectei em mim e fiz questão de arrumar. Tá louco! Que coisa besta!
Descobri que se as coisas não estão lá como eu gostaria, ver o outro feliz por uma conquista (caso merecida, que fique claro) e conseguir sentir-se bem com isso é um santo remédio. ''Poucos são os homens com bastante caráter a ponto de sentir-se feliz com a conquista do próximo sem sentir um pingo de inveja''. Isso não veio de mim, mas é pra mim. Pra mim não, pra todo mundo, pensa nisso você também. Seja um parasita da felicidade das pessoas que você gosta. Não sei se parasita é a palavra certa, porque dessa relação os dois saem beneficiados, acho que é comensal né? De qualquer jeito, não tenho vergonha de admitir isso pra você, todos tem lá seus defeitos, mas é vivendo, refletindo e tentando mudar que se consegue melhorar.
Pô, é realmente coisa pra caramba. Viver aqui nesse lugar, com todas as oportunidades que tenho, e tanta gente bacana pra compartilhar os momentos, as ideias, ensinar e aprender a todo momento...ainda bem que esse curso tá só chegando na metade.
Venha me visitar qualquer dia, não muito em breve, que agora to indo matar a saudades do pessoal de São Paulo. Mas venha sim, você não vai se arrepender. Manda lembranças pro Mauro e pra Audrey.

Grande abraço
Pedro

9 comentários:

Marchewicz disse...

aeuaehuiaehaueihaeu
mto boa
soh faltou flar do meu gremio neh
uahuaiehauehae
abraço forte

Maíra disse...

Bonita essa Pedro... =)
beijão e boas férias!

camilinha disse...

essa sim foi a q eu mais gostei! mais do q a de velhinhas hehehe
beijoss

Armando Thiago disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Armando Thiago disse...

Fim de semestre e de ano sempre é um tempo para refletir sobre o que passou e criar expectativas para o futuro! Bacana o texto, com uma auto-crítica e um balanço geral em todos os sentidos, enfim, vivendo e aprendendo sempre... Com relação àquela frase do Ésquilo, o ser humano as vezes é tão egoísta a ponto de que se você não está feliz, a felicidade dos outros que se dane, até mesmo de pessoas queridas. Realmente é uma frase que serve para todos, pois, não raro, temos sentimentos e pensamentos egoístas.

Aproveita as férias, a terrinha, a família, os amigos e as gatas aí!

P.S. To curioso pra saber o que a tia Nêna vai aprontar neste natal!

Grande abraço

Ronaldo disse...

gostei bastante dessa tmb pedrao!

abraço

Arthur disse...

Li agora! Ri agora! Pensei agora..
DETALHES.. Em letras garrafais, nobre colega, podemos ter a felicidade.. É só levar o pequenos detalhes (diga-se as coisas simples) em conta.
Abraço

Anônimo disse...

Acredita que ainda não tinha lido essa? Eu amei, escreve uma cartinha pra mim um dia desses? Aamnhã vou matar saudade do irmão mais lindo do mundo :)

Anônimo disse...

Já tinha esquecido dessa e reli agora, adorei. Principalmente pelo fato de pensar no quanto vc mudou :)
ISA

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Quem sou eu

Médico da atenção básica de Sombrio - Santa Catarina. Escreve para o site da prefeitura, neste blog e eventualmente em outro veículos. Estuda filosofia. Toca violão e alguns outros instrumentos, nenhum verdadeiramente bem.