sábado, 28 de abril de 2012

Geração iPad: Onde queremos chegar?


Dias atrás conversei com uma pessoa que me contou que seu sobrinho ganhou de presente um iPad. Falava com alegria da facilidade com que o menino utilizava o aparelho, da destreza e movimentos intuitivos com que abria e fechava aplicativos e conseguia sempre executar os comandos que desejava. O único problema é que vez ou outra ele resolvia dar outras funções para o equipamento: em vez de concentrar-se na tela, resolvia arremessá-lo longe ou mesmo mordê-lo. Mas era compreensível, pois ele tinha recém completado dois anos.
A pessoa não disfarçava o orgulho que sentia da esperteza do sobrinho, até me mostrou uma foto em seu iPhone da criança olhando para a tela de seu presente e apontando o dedo para lá. No entanto, queixava-se de que ele nunca deixava pegá-lo no colo, apesar de, depois da mãe do menino, ela se sentir a pessoa mais próxima a ele. Beijos e demonstrações de afeto então, nem pensar.
              
  Sou de uma geração em que nossos pais começaram a comprar computadores quando éramos pequenos. Meus pais compraram o primeiro (para uso da casa) quando eu tinha oito anos. Até então eu já tinha muitos amigos, joelhos ralados, coleção de figurinha, bola de gude, e uma bicicleta “da hora, de 18 marchas!”. Foi legal quando o computador chegou, mais o PaintBrush, que era a maior diversão, perdia de longe para os amigos da escola e da rua.
 Os computadores e o mundo virtual chegaram às nossas vidas particulares sem que tivéssemos muita orientação de como poderíamos realmente nos beneficiar deles. É bem óbvia a praticidade e dinamicidade que eles proporcionaram em nossas atividades laborais, mas para muitos, o “Personal Computer” aos poucos foi deixando de ser uma ferramenta, um meio, para tornar-se um fim em si próprio.
 Resultado: boa parcela da minha geração, que hoje esta começando família e a terem filhos, estão apresentando de forma completamente alienada (alienação = ação sem reflexão) esses dispositivos à sua prole, antes que eles tenham contato com o mundo, pessoas, situações reais e estão achando isso uma maravilha, até porque eles mesmos (os pais) ainda não tem discernimento do real propósito de adquirir um aparelho desses. Mas numa sociedade democrática como a nossa, onde qualquer um faz o que bem entende, "se eu quero e posso, por que não devo?"
             
 Não vou discorrer sobre o uso ponderado dos aparelhos eletrônicos, da internet, ou das redes sociais, até porque a forma com a qual eu os utilizo fica muito aquém de seu verdadeiro potencial. Mas consequências desse tipo de atitude por parte dos novos pais são de fácil conclusão. Isso é um processo real e em curso, acho pertinente uma boa reflexão sobre o tema. Onde queremos chegar? Tem tanta gente que se diz preocupada com o mundo que deixaremos para nossos filhos, mas o que importará isso, se o mundo em que eles decidirem viver não for mais este?

3 comentários:

Maia disse...

Amei o final, absurdamente...

M disse...

é.. não dá pra prever como será essa nova geração superantenada.. se vai afetar a capacidade de empatia e obter relacionamentos saudáveis e duradouros. O mundo com certeza será outro, como já era outro na época em que nossos pais, medrosos, colocaram o computador dentro de casa, com medo de que fossem nos estragar. estragaram? Eu realmente não faço a menor idéia.
Anyway, adorei o post!
Beijos

Manoela disse...

Nada como os seus textos pra começar bem um domingo de plantão! =)
E aí tb descobrir que vc está em sampa fazendo estágio hehehe...

Beijo

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Quem sou eu

Médico da atenção básica de Sombrio - Santa Catarina. Escreve para o site da prefeitura, neste blog e eventualmente em outro veículos. Estuda filosofia. Toca violão e alguns outros instrumentos, nenhum verdadeiramente bem.