quinta-feira, 24 de julho de 2014

Dunga e o Complexo de Golgi


Desconheço vivalma que tenha concordado ou sequer entendido a escolha de Dunga como novo técnico da seleção brasileira de futebol. Soa sadomasoquista a atitude da CBF, haja vista o currículo de nosso ex-volante tetracampeão como técnico, diga-se apenas de passagem, da própria seleção, em passado recente. Mas não pude deixar de lembrar de certa prova de biologia que fiz em épocas de futebol-arte.

Sempre tive muita fé no universo celular. Nunca imaginei que as organelas ficassem boiando no citoplasma, embora não conseguisse decorar qual a contribuição de cada uma delas para o todo. Parece-me razoável admitir que, interpretações a parte, a coisa funciona.

Pois bem, eis que me defronto em dado momento com uma questão cujo enunciado descrevia o funcionamento de determinada estrutura celular. Como supracitado, decorar a função de cada elemento não era meu forte, de forma que a única coisa que eu conseguia afirmar ali é que aquela função não era exercida pelo Complexo de Golgi. Logo, sobravam-me quatro outras alternativas: 25% de chance de acerto.

Neste momento entra, embora aparentemente insignificante, um dos maiores mistérios com que me deparei até hoje. Movido a um sentimento (não dá pra chamar de raciocínio) incompreensível, ilógico, e por que não, irracional, eu assinalei: letra d) COMPLEXO DE GOLGI. E, é claro, errei a questão.

As coisas parecem fazer mais sentido agora, depois de Dunga. Parece-me que nós, seres humanos, temos uma dificuldade muito grande de lidar com incertezas. Mais fácil, por incrível que pareça, lidar com a certeza, mesmo que seja a certeza de um erro, ou de uma derrota. Quando este tipo de coisa acontece, nossa parte mais esotérica já foi suplantada, sabemos que não vai acontecer nenhum milagre. Nenhum cientista dias antes da prova teria descoberto que o Complexo de Golgi é uma espécie de coringa da célula, da mesma forma que o Dunga é o Dunga. Ponto.

 Apesar de ter compreendido um pouco melhor a gênese comportamental em ambos os casos, resta uma dúvida: Será este um padrão de funcionamento inerente aos seres humanos, ou uma característica em comum entre mim e a CBF? Se Freud explica, (e aqui vamos, de forma lúdica e alienada, achar que o futebol se resume a isso) chegou a hora da CBF ir ao divã.

                 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Vinte e sete

O que é que posso dizer agora que possuo a idade em que se foram  Jim Morrison, Janis Joplin, Kurt Cobain e Amy Winehouse, e que tantos outros passaram sem terem chegado a lugar algum? Aos vinte e sete, certamente posso dizer que ainda tenho muito a aprender, mas que já deu pra notar bastante coisa. Entre elas, que dedicar a vida a melhorar a vida dos outros pode ser e é muito gratificante, mas também angustiante e desgastante. Achar que pode ser um anjo da guarda por vezes te priva de tua própria identidade, e pensar que pode fazer sempre o melhor o tempo todo te torna um personagem, uma caricatura, querido pela maioria, mas um escravo alimentado pelo bem querer dos outros.


Definitivamente, há coisas que dependem de você e coisas que não dependem de você. Não vale a pena tentar mudar nas pessoas algo que VOCÊ pensa que elas tem de mudar. Nada muda se as pessoas não quiserem. Respeite o tempo de cada um; todos estão em estágios diferentes da mesma caminhada. E não fantasie e tente resolver problemas ocultos das outras pessoas, já há problemas o suficiente; se algo tiver de emergir, vai emergir.

 
Posso dizer que o excesso de álcool pode causar muito mal, assim como qualquer outra droga, e quando você deixa ele tomar conta da sua vida, também deixa de ser as coisas que você mais valoriza. Posso dizer que a vida com certeza é boa; às vezes estamos bem, às vezes nem tanto, às vezes tudo parece um grande bosta. Mas como tudo na natureza, nossa vida é feita de ciclos e, por mais que pareçam infinitas as tempestades, vale ter fé e esperar que passem.


Se pudesse dar conselhos, eu diria: tenha grandes esperanças. Seja corajoso, leia bastante e conheça o mundo. Peça desculpas mesmo achando que está certo, as vezes as pessoas não estão preparadas para enxergar o que realmente é certo. Da mesma forma, vale a pena perdoar, e isso não quer dizer que tenha de ser permissivo. Beba bastante água, faça exercícios regularmente, coma bem, mas note que ficar pensando bobagem faz mais mal do que comer besteira. Isso porque o que nos torna seres humanos não é nosso corpo, e sim o que está dentro dele e não pode ser visto e nem mensurado. Alma não tem sexo e nem idade. A juventude é característica daquele que tem o poder transformador, seja do mundo, ou de si mesmo, o que no fundo, são a mesma coisa.
Se eu pudesse dizer apenas uma coisa, eu diria: Ame.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Sobre o valor de pessoas e palavras

Dona Terezinha sentiu fortes dores abdominais seguidas de vômitos, foi levada ao hospital, onde lhe apertaram a barriga, tiraram sangue, raio-x, depois disseram-lhe que tinha de operar. Quando menos esperava tinha uma máscara no rosto e alguém dizendo que ia ser “só uma espetadinha” e então dormiria tranquila.
Acordou num quarto do hospital com o marido de um lado e três pacientes nas outras camas espalhadas pelo ambiente. Continuava sentindo dores, que um doutor veio lhe dizer pela manhã que logo passaria. Não só não passou como somou-se a uma febre, mais agulhas, mais dor, um aparelhinho que escorre gel pela barriga e lá estava ela com a máscara no rosto e alguém lhe dizendo que ia dormir.

Desta vez quando acordou ainda estava com uma máscara no rosto, mas não tinha dor. Tudo ficou meio nebuloso, viu o marido de jaleco branco, grama no teto e vozes lhe cochichando. Perdeu completamente a noção do tempo.
A próxima lembrança é uma conversa com outro senhor de jaleco branco, lhe dizendo “A senhora tem 2 anos de vida”. Depois disso, casa.

De concreto, Dona Terezinha tinha agora uma concha de retalhos na barriga e a certeza da hora da partida. Além disso uma pilha de remédios que em pouco tempo decorou como tinha de tomar, fraqueza, falta de ar, um marido calado e tabagista pesado.
Os dias se arrastaram e Dona Terezinha desenvolveu uma mistura de medo, vergonha e incapacidade de dividir com qualquer pessoa a ideia de sua morte marcada. O marido, se se lembrava ou sabia, nada dizia; os demais, ela preferia poupar.
Sobre o veredicto não havia dúvidas. Dona Terezinha sabia bem que era “Deus no céu, e os doutores na Terra”, não haveriam de errar. E como Deus sabe o que faz, não poderia ela entregar-se. Viver dignamente o resto dos dias era o que lhe restava.
Tomava os remédios corretamente, dava conta dos afazeres domésticos, assistia televisão e sentia dores. Ademais, crescia-lhe apenas a curiosidade de como seria o fatídico dia. Sentiria uma dor terrível? Onde? No peito provavelmente. Ou morreria dormindo? Viria uma senhora de capuz negro e foice na mão? Um menino de cabelos cacheados e auréola? Ninguém? Ficaria tudo preto? Ou branco?

Dona Terezinha arrastou os 2 anos com o chinelo e uma barriga que crescia e doía lenta e progressivamente. Ficou mais pesada e calada. Sua segunda maior dúvida era qual roupa vestir para a morte. Escolheu um vestido velho, mas confortável. “Quanto menos sofrer, melhor”. Chegado o dia, ficou bastante ansiosa, o coração acelerou, passou o dia com dores de cabeça, e para completar, estava gripada, com o nariz a lhe escorrer o tempo todo. O marido, se sabia de algo, limitou-se a fumar meio maço de cigarros a mais.
Por convenção própria, imaginou que seria meia-noite. Pôs o vestido, sentou-se na poltrona da sala. Apenas para disfarçar, ligou a televisão em volume baixo. Repousou as mãos sobre o peito, sentindo as batidas do coração, e esperou.

Uma semana depois fui chamado a fazer uma visita domiciliar à Dona Terezinha, que se dizia extremamente frustrada e aborrecida com a morte. Além de muito brava, não tinha fôlego para ir da sala à cozinha. Uma enorme barriga toda remendada, pernas inchadas, olhos amarelos, e o marido pigarreando.
Estávamos eu, a enfermeira e uma técnica de enfermagem. Quando saímos da casa, os olhares e palavras que não trocamos somaram-se as percepções quanto a vida, a morte, a medicina, o valor das pessoas, e das coisas que dizemos.
Estava tudo embaralhado.

domingo, 13 de abril de 2014

Poderosas armas humanas

Um grande ser humano certa vez disse: “há pessoas que sentem a chuva, outras apenas se molham”. Puxa, dá pra aprender tanta coisa nessa vida! “Seiscentos anos de estudo, ou seis segundos de atenção?”

Lá em Sombrio eu atendia uma média de 25 a 30 pessoas por dia. E a coisa que eu mais tinha de escrever era a data nos receituários. Isso me fazia ver o tempo passando. E passava rápido, porque o trabalho era bom. Nada (ou quase nada) era automático e cada consulta uma oportunidade nova de aprender e ensinar.

 Conheci o verdadeiro poder da vontade, poder esse que pode passar desapercebido por toda uma vida, sem nem desconfiar que temos. Pacientes que chegaram a mim fumando 60 cigarros por dia e, mesmo em meio a conturbados contextos familiares, conseguiram parar de fumar. Os que emagreceram da forma correta, as que tiveram coragem de largar o emprego, as que se deram chance a novos relacionamentos após os 50 ou 60 anos. Os que entenderam que as coisas são como são, e não como a gente quer. Mas mesmo assim, há coisas que dependem da gente, e outras não.

Por trás disso tudo, eu entendi que de tudo o que eu fazia, aquilo que mais ajudava, o que mais fazia sentido e diferença, não dependia de eu ser ou não ser médico. As pessoas podem ajudar a mudar a vida umas das outras a qualquer momento.         

 
O fato de você desejar bom dia, apertar com vontade a mão de quem lhe responde, sorrir e olhar diretamente nos olhos pode causar um impacto extremamente positivo. Mostrar interesse e atenção é fundamental, mas até aí nenhuma grande novidade. Conheci duas grandes armas que mudam o dia, e talvez a vida das pessoas com quem a gente convive, e como expus, não precisa ser médico para usar.

Trata-se da capacidade de elogiar e de confiar. Experimente. Veja, quando, seja de forma particular ou pública, você elogia alguém. Ressalta suas virtudes, diz-lhe o quão importante ela é para os outros, para si, e para ti. Mostre pra ela quantas pequenas boas coisas ela faz durante o dia, e durante a vida, mas que passam desapercebidas pois o foco está sempre voltado para qualquer outra coisa.

Pegue todas essas virtudes, e deposite sua confiança nelas. Olhe fundo nos olhos e diga “Você é um pessoa muito boa, gosto de você e confio em você. Vai fundo que eu tenho certeza que você consegue.” Ou ainda “Vamos conseguir juntos”.

Não tenha medo de se aproximar das pessoas, é possível ser afetuoso de forma muito respeitosa em qualquer relação. A medicina nada mais é do que uma relação interpessoal dentro de um contexto. Não é possível realmente fazer a diferença na vida de alguém sem envolver-se com ela.

 
Se, no fundo, você imagina que alguma pessoa não tem absolutamente nenhuma virtude (o que só pode ser uma ilusão, e nos iludimos com frequência) tente pensar não no que a pessoa é, mas sim no que ela pode vir a ser. Gosto de pensar assim com relação ao mundo: Não aprecio muito o jeito em que ele se encontra, mas gosto muito do jeito que eu imagino que ele possa vir a ser. E por isso faço questão de trata-lo bem, e tentar melhorá-lo a cada dia, tendo em mente que melhorá-lo é melhorar a mim e ajudar os outros a fazer o mesmo.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Rota de fuga

Vivemos um momento muito peculiar.
                
Não há a menor coerência entre aquilo que se pensa, aquilo que se diz, e aquilo que se faz. As pessoas pensam X, e acordam para viver Y. E de uns tempos pra cá, “ganharam” a chance de dizer W.
Todos querem um mundo melhor, mas ninguém age de acordo. É impossível um mundo melhor com os sonhos e objetivos traçados pela grande maioria. De idealistas o mundo está cheio, falta compromisso.
Ninguém mais vive de forma autêntica. Todos (ou quase todos) vivem para alcançar alguma coisa que parece interessante aos olhos de alguém. Todos querem ser reconhecidos, todos querem ser amados.
O mundo está abarrotado, como diz Milton Nascimento, de pessoas que “não vivem, apenas aguentam”, ou nas palavras de Mick Hucknall “for the poor, no time to be thinking, they are too busy finding ways.” Pois bem, aos que cabe fazer alguma coisa, nada fazem.              Particularmente, me soa muito triste, talvez até maldade, pessoas que tiveram uma boa “educação”, ou ao menos uma posição privilegiada no que tange a compreensão do mundo, terem objetivos tão individualistas. Minha geração definitivamente não vai resolver nada. Estamos cavando (com gosto) a jazida de qualquer vestígio de processo civilizatório, de humanidade.
                
As metas de vida traçadas tem por direção 180 graus contrárias àquilo que é necessário para um mundo melhor. Defendem uma saúde melhor para todos, mas as atitudes e escolhas visam apenas os que podem pagar caro. Defendem o combate a violência, mas são extremamente excludentes e preconceituosos (aberta ou veladamente, até mesmo com piadinhas “inocentes”) contra negros, homossexuais, e outras “minorias”. Defendem uma melhor educação, mas na parte que lhes cabe, dentro de casa, perpetuam o pensamento do que é MEU, do poder, do “quanto mais excludente o meu saber, minha compra, meus bens, mais destaque terei”.
Ora, em nossa sociedade democrática, tudo isso e possível. E aí estamos, no mundo totalmente desarticulado, onde a maior confusão é entre meios e fins. Uma casa é um meio para ter algum descanso e conforto, um carro é um meio de transporte, internet é meio de comunicação.
 “Preciso ganhar sei lá quantos mil reais pra ter uma boa casa, pra ter um bom carro, pra ter um computador, e na internet postar fotos da minha casona, e do meu carrão, e da minha grande viagem, e da minha namorada peituda, que está comigo porque eu tenho uma casona, um carrão, e porque faço grandes viagens...”
Uma foto do cassino, uma da peituda, e o próximo post é “Dilma incompetente”, ou qualquer outro palpite dispensável. Não por estar certo ou errado, mas simplesmente pela incoerência. Atreve-se o sujeito a opinar sobre hepatologia? Sobre termodinâmica? Botânica, ou escalas melódicas e pentatônicas? Política é um ramo do saber como outro qualquer. Se elegemos qualquer um apenas porque fala bem ou parece bem intencionado, isso é uma falha do nosso sistema, (educacional, inclusive e sobretudo) e bem grave.
                
Pois bem, de maneira mais intimista: trata-se no fundo, uma rota de fuga, essa tal de internet, né?! Pois pensamos uma coisa (X), vivemos outra (Y), que não tem nada a ver. Mas podemos fingir. E podemos chamar essa farsa de W.


Como ecoa esse W...

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Outro conto de Natal


                Acordou ressaqueado e era véspera de Natal. Não se lembrava de nada; observando o ambiente ao redor, movendo o mínimo de músculos possível, foi lembrando aos poucos dos fatos que não dependiam da noite anterior: 61 anos, aposentado, divorciado (duas vezes), e até então, aliás até onde sabia, ainda não havia herdeiros a quem delegasse o legado de nossa miséria. Do rádio-relógio que deveria estar tocando sozinho há boas horas saia Feliz Navidad de um coral infantil. Foi à geladeira e pegou uma Long Neck para acabar um pouco com a dor de cabeça.

                Há tempos em que sentia-se na obrigação de não dar satisfações a ninguém, nem a ele mesmo, de forma que não se importou tanto com o fato de não se recordar dos eventos recentes. Da varanda do seu esconderijo do milésimo andar de um edifício do Morumbi, criou o hábito de observar, a la James Stewart, a vida secreta da favela fronteiriça com o muro de seu condomínio.

                Sua vizinha-personagem favorita estava recolhendo roupas do varal. Mãe de três filhos, já a vira estendendo aquelas mesmas roupas inúmeras vezes, algumas delas tragando um baseado, enquanto o marido trabalhava e as crianças estavam na escola. Ele mesmo, em solidariedade, e para sentir-se de alguma forma conectado com aquela mulher, também acendia um.

                Nessas horas lembrava da cena repetida toda manhã: A mãe levando os filhos até o portão, onde passava outra mãe com uma dúzia de crianças, a conduzi-las a escola. Dava uma última ajeitada na roupa de um, uma penteada nos cabelos de outro, as vezes alguma presumível bronca, beijava os três, que seguiam com as mochilinhas pesadas: cadernos e livros que tinham a mesma função social de um tijolo. Ele olhava aquilo e pensava não só no que via através da sacada, mas dentro dela também.

                Deixou-se estar ali e já na quarta long neck, quando a ressaca se revertia em porre outra vez, teve uma ideia, que lhe soou despretensiosa e brilhante. Na cidade que nunca para, os shoppings ficam abertos até as 18h na véspera de Natal. Dirigiu(-se) ao mais próximo e estourou o cartão de crédito em brinquedos e uma fantasia de papai Noel. Seria o bom velhinho dos filhos da mulher dos varais.

               
                Perto da meia-noite trajou-se de vermelho e barba branca postiça. Olhou no espelho e se sentiu ridículo, na verdade envergonhado. Nada que uma dose dupla de Jack Daniels não resolvesse. Ligou o rádio “And so this is Christmas, and what have you done?”...mais uma dose…”quem seja feliz quem souber o que é o bem”, meia dose, outra olhada no espelho, uma lágrima...”marcas do que se foi, sonhos que vamos ter, como um novo dia nasce, novo em cada amanhecer”...mais duas doses, uma de whisky e outra de coragem. Botou o saco nas costas, e saiu pela porta.

                Dizem que foi o natal mais incrível não só das crianças, mas também dos adultos de todo o  bairro vizinho. Dizem também que houve um papai Noel encontrado desacordado em cima de uns sacos de lixo numa rua próxima. Dizem que um papai Noel fez o melhor discurso sobre o amor e sobre o espírito natalino numa praça daquela região. Dizem que papai Noel não existe.
                Dizem também que foi a primeira vez em que o Papai Noel foi visto descendo das alturas não de trenó, mas de um elevador panorâmico.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Obrigado, São Judas Tadeu

Hoje é dia de São Judas Tadeu, o santo das causas impossíveis. Era pra ele que eu rezava quando queria passar no vestibular. Antes de começar as provas, lia a oração. Algumas vezes os fiscais de prova iam ver do que se tratava aquele papelzinho, que mais parecia uma cola.
O resultado do vestibular saiu dia 28/12/2006, todo dia 28 se comemora o dia de São Judas. Coincidência? Logo saiu o resultado, atravessei a cidade de São Paulo junto a meu pai e minha irmã (minha mãe estava fazendo compras na 25 de março) rumo a igreja de São Judas. Lá agradeci muito e jurei que voltaria ao menos uma vez por ano. Não cumpri. Que seria de nós se os santos resolvessem vingar-se pelas promessas não cumpridas? Melhor sempre apelar pra São Longuinho que fica mais fácil.
                
Mesmo assim tenho a impressão que São Judas está feliz comigo. Aconteceu tanta coisa nesses últimos 7 anos! “Temos que viver o que temos que viver, viveremos plenamente em qualquer lugar, e fazer da vida o livro que sempre quisemos ler.” São Judas deve estar feliz porque sabe que eu não tive que ir até sua igreja para estar com ele.
Deve estar mais feliz ainda por saber que talvez eu entenda que ele é na verdade mais uma das tantas representações daquilo que todos nós devemos procurar acumular, aliás as únicas coisas dignas de real acúmulo: Conhecimento e sentimentos bons. O resto é provisório.
                
Aqui em Sombrio hoje faz Sol, é segunda-feira, mas é feriado (dia do servidor público), sou médico, toco violão e gosto de escrever. Faço filosofia, tenho muitos amigos e uma família sensacional. Também existem problemas, que ajudam a entender coisas e crescer. A maré tá boa, então vamos pegar carona.
E pra quem ainda não entendeu, é tudo nosso, tudo de todo mundo. Tudo! Empresto as palavras de outro mestre, e agradeço mais um dia. Obrigado, São Judas Tadeu!

“You may say I’m a dreamer, but I’m not the only one. I hope someday you'll join us, and the world will live as one” (John Lennon).

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Quem sou eu

Médico da atenção básica de Sombrio - Santa Catarina. Escreve para o site da prefeitura, neste blog e eventualmente em outro veículos. Estuda filosofia. Toca violão e alguns outros instrumentos, nenhum verdadeiramente bem.